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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Carlos Newton
Confiante na impunidade, o então candidato ao governo de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), declarou à Justiça Eleitoral que em 2009, quando ainda era vice-governador, comprou4.225 hectaresdo cacique da etnia terena Cirênio Reginaldo Francisco. A propriedade foi o mais valioso bem informado por Silval à Justiça Eleitoral em 2010: R$ 600 mil, equivalente a 30% de seu patrimônio.
Mas acontece que a tribo Terena não reconhece a transação, que o agora governador Silval diz ter formalizado com o cacique Cirênio para pagamentoem parcelas. A Justiça Federal de Mato Grosso então emitiu ordem de busca e apreensão de documentos em dois cartórios de Peixoto de Azevedo para investigar esta estranha e insólita negociação de terras entre o então vice-governador do Estado e um cacique indígena, segundo reportagem de Rodrigo Vargas, na Folha de S. Paulo.
No Cartório de Imóveis de Peixoto de Azevedo, a negociação está registrada no dia 29 de junho de 2009. Cirênio diz que só ficou sabendo do negócio em 2010, quando o TSE divulgou as listas de bens dos candidatos. “Fiquei surpreso. E não somente eu. Os comerciantes vieram nos cobrar dívidas.”
Três dias antes do registro da negociação, por coincidência, é claro, Silval Barbosa foi a um ato político na mesma cidade. O ponto alto foi o anúncio da transferência para o Estado da titularidade da Gleba Jarinã. As áreas adquiridas ficam na mesma gleba, também por coincidência.
Num vídeo gravado por um jornalista no último dia 9 e entregue ao Ministério Público Federal, o cacique diz que jamais fez qualquer negócio com Silval: “Na dependência que nós estamos de dinheiro na nossa aldeia, se tivéssemos recebido R$ 600 mil, nossa situação estaria muito melhor”, diz ele.
No vídeo, o cacique relata que tentou contato com o governador em janeiro deste ano. Ainda por coincidência, lógico, em fevereiro o mesmo cartório registrou um “distrato” de compra e venda, no qual o governador supostamente devolveu as terras ao índio.
“Não sei quem fez isso”, diz o índio”, que não reconhece suas assinaturas. As terras foram registradas em seu nome em 2003. No vídeo, ele diz que a operação foi sugerida e conduzida por um agrônomo da Funai e agentes do Incra.
“É forte, portanto, a suspeita de que o imóvel em questão tenha sido objeto de grilagem de terras federais”, afirma o Ministério Público no pedido de apreensão de documentos do governador.
Como era de se esperar, a defesa do governador nega relação entre os eventos. “São áreas distintas”, diz o advogado Francisco Faiad, acrescentando que as terras foram oferecidas por um “intermediário” e Silval pagou apenas a 1ª parcela: R$ 200 mil. “Como a situação não avançou em 2010, desfez o negócio.”
Faiad diz ainda que as escrituras foram “devidamente assinadas”. “Não houve nenhum negócio espúrio ou escondido”, garante, firme na defesa de uma negociação que é totalmente indefensável.
A CULPA É DO ÍNDIO, É CLARO
O governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, declara-se vítima de fraude no episódio da compra de uma área de4.235 hectaresregistrada em nome de um cacique da etnia terena, no município de Peixoto de Azevedo, a700 kmde Cuiabá.
Em nota encaminhada à imprensa, diz ter sido procurado por um corretor de imóveis que lhe ofereceu a área, que segundo ele seria usada como reserva legal.
“Após a realização do negócio, Silval descobriu [em 2010] que tinha sido vítima de uma fraude aplicada pelo vendedor com a conivência do notário local. Por isso, não foi tomar posse do imóvel e suspendeu o pagamento das parcelas ajustadas”, diz a nota.
Segundo o governador, “além de constatar que o documento era irregular, descobriu que o vendedor não era agricultor como constava na escritura”.
“Silval Barbosa é, portanto, adquirente de boa fé, pois o documento oferecido tinha fé pública de um cartório de registro de imóveis, sendo inclusive declarado em seu imposto de renda. Descobriu a fraude, não tomou posse do imóvel e fez o distrato que foi assinado pelo vendedor.”
Cirênio Reginaldo, o cacique terena que nega participação no negócio, estaria, segundo o governador, tentando “livrar-se da responsabilidade pelo ato”.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Saiba o que significa
Significado de Concessão
s.f. Ato de conceder; permissão, condescendência.
Privilégio, direito que se obtém do Estado, para exploração
de riquezas minerais do subsolo, de serviços públicos etc.
“Caso seja concedida liminar, a Promotoria pede multa diária de R$ 10 mil para a concessão dos leitos. Folha de São Paulo, 10/08/2011
“Conforme anunciado no ano passado, o grupo chinês CR Zongshen vai inaugurar a primeira fábrica de motocicletas elétricas no Brasil, no município de Sapucaia, no Rio de Janeiro, área de concessão da distribuidora de energia da Light. Folha de São Paulo, 08/08/2011
Significado de Privatizar
v.t. Proceder à privatização de.
     “Os fundos estatais compraram as ações da Oi no leilão de privatização da Telebrás, em 1998, de forma indireta, através de uma empresa de participações chamada Fiago. A Fiago está sendo dissolvida para que eles se tornem acionistas diretos da Telemar e possam assinar o acordo de acionistas. Folha de São Paulo, 10/07/2009
    “Em abril passado, a Procuradoria decidiu fechar outro caso de tráfico de influência contra Olmert, daquela vez sobre as suspeitas de que tinha ajudado um empresário amigo dele, o australiano Frank Lowy, durante a privatização do Banco Leumi, um dos principais de Israel. Folha de São Paulo, 20/07/2009
PSD na parada eleitoral
     Ao que tudo indica o PSD, em Mato Grosso, está de braços dados com o Ministério Público Eleitoral que deu parecer favorável à criação do partido, em Mato Grosso.       
     Conforme o parecer do procurador Tiago Lemos, o número de assinaturas conquistadas pelos fundadores a apoiadores do partido supera, e muito, o percentual exigido pela legislação. Além disso, o procurador não aceitou os dois pedidos de impugnação da nova sigla feitos pelo DEM e PTB.
     Na verdade o PSD, aqui em Mato Grosso, nada mais é que uma parte dos “amigos de José Riva” PP tem 18 deputados com ‘folha corrida’
A “folha corrida” da bancada do PP, como dissera o ministro Mário Negromonte, é, de fato, extensa: 18 de seus 41 deputados são ou foram réus, entre eles Paulo Maluf, acusado de lavagem de dinheiro
Caso do vídeo do ‘estrebucha’
já tem dez PMs identificados
A PM anunciou já ter identificado dez policiais envolvidos na cena de agonia de dois suspeitos baleados, gravada em vídeo e revelada pela Folha.com.
“Estrebucha, filho da puta”, diz um dos PMs para o homem caído, que morreu. O outro ferido foi ouvido ontem pelo grupo que investiga o caso.
57% dos alunos do 3º ano não sabem ver a hora
A Prova ABC, aplicada em 250 escolas sorteadas, indica que 57% dos estudantes do 3º ano do ensino fundamental não sabem calcular o troco. O teste de matemática mostra dificuldade de ver as horas. Na rede pública o desempenho foi pior do que na particular.
Entre alunos de 8 anos, metade não sabe o mínimo
Crianças encerram ciclo de alfabetização sem conhecer básico em leitura e matemática, mostra teste nacional
Metade das crianças brasileiras que concluíram o 3º ano (antiga 2ª série) em escolas públicas e privadas nas capitais brasileiras não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. É o que mostram os resultados da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), que foram divulgados ontem. Cerca de 44% dos alunos não têm os conhecimentos necessários em leitura, 46%, em escrita, e 57% em matemática. Isso significa que, aos 8 anos, elas não entendem para que serve a pontuação; não compreendem o humor expresso em um texto; não sabem ler horas e minutos em um relógio digital e calcular operações envolvendo intervalos de tempo; e não reconhecem os centímetros como medida de comprimento. “Estamos produzindo crianças escolarizadas que são analfabetas”, disse Gladys Rocha, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.
Resultados são ruins mesmo no Sul do PaísOs dados da Prova ABC mostram que há redes públicas de algumas regiões do País nas quais menos de um terço dos estudantes aprenderam o mínimo. É o caso da Região Norte, onde apenas 21,9% dos alunos das escolas estaduais e municipais cumpriram a expectativa de aprendizado em matemática. Mesmo a Região Sul, que apresenta a melhor taxa, ainda tem um número baixo: 55% dos alunos aprenderam os conteúdos.
Polêmica: Deputado quer bebida no porta-malas
Lei aprovada em comissão da Câmara prevê multa de R$ 191 para quem levar cerveja, vinhos e outros tipos de produtos alcoólicos na cabine dos carros. Especialista diz que o projeto é inconstitucional.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Globo de hoje traz como matéria especial a seguinte manchete:
Briga entre ‘safado’ e ‘débil mental’
Os senadores Humberto Costa, líder do PT, e Mário Couto (PSDB) quase trocaram tapas ontem, durante bate-boca sobre corrupção que começou na tribuna e acabou no cafezinho. O petista xingou o tucano de débil mental e foi chamado de safado. Será que os dois são só safados e débeis mentais? Responda-me?

O tempo dirá.
Será que o VLT será implantado?
A notícia que se tem nas primeiras páginas dos principais jornais de Mato Grosso, desta quinta feira, é que “O governo de Mato Grosso recebeu o aval da presidente Dilma Rousseff para implantar em Cuiabá e Várzea Grande o Veículo Leve sobre Trilhos
Mas, é bom lembrar que Silval Barbosa, segundo matéria da sua assessoria, só conseguiu autorização do governo Federal para encaminhar o projeto da construção do Veículo Leve sobre os Trilhos (VLT) à Caixa Econômica Federal (CEF), que vai reavaliar e fazer uma consulta técnica para quantificar os investimentos necessários para que o modal seja construído na Capital, visando a Copa do Mundo de 2014.
Em assim sendo, pode se dizer que tudo ainda está por começar, até mesmo a elabotação do projeto.Isso significa dizer que é uma corrida contra o tempo e, ai então, é que está o problema: VLT ou VDN (vai dar em nada)

Turismo: Dinheiro da Copa para entidades sob suspeita
Em Mato Grosso dinheiro da Copa vai para Sec. Turismo
Investigados pelo Ministério Público Federal, o Instituto Brasileiro de Hospedagem e o Instituto Centro-Brasileiro de Cultura têm convênios de R$ 18,9 milhões para qualificação de trabalhadores. A assessoria do ministro Pedro Novais afirmou que todos os contratos assinados serão revistos.

Ainda falta democracia nos partidos
Levantamento obtido pelo jornal Valor Econômico de hoje mostra que PT e PMDB são os partidos com mais democracia interna, por apresentarem as menores taxas de comissões provisórias nos mais de 5 mil municípios onde estão organizados. As comissões provisórias, que podem ser dissolvidas a qualquer momento, ao menor sinal de rebeldia, são o principal instrumento de controle de caciques políticos sobre partidos médios e pequenos, independentemente de ideologias.
Entre os menos democráticos, com até 99% de comissões provisórias, figuram PP, PR e PTB até PDT, PSB e PV - o presidente do PV, José Luiz Penna, conseguiu derrotar Marina Silva no partido mesmo depois que a ex-senadora obteve quase 20 milhões de votos na eleição presidencial. PSDB, DEM e PCdoB estão no bloco intermediário. Muito interessante essa pesquisa publicada pelo Valor Econômico, mas será que só falta democracia nos partidos. Dá uma reparrada neste Brasil varonil.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Assassinato de juíza perto de ser elucidado
Do jornalista Auro Ida ainda nada a dizer
Depois de o Comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro admitir a participação de PMs na morte da juíza Patrícia Acioli, fuzilada no dia 12 deste mês com 21 tiros, o Conselho Nacional de Justiça informa ter pistas sobre a autoria do crime e promete revelar informações em breve.
O deputado Romário (PSB-RJ) fez o seguinte discurso na Câmara, em Brasilia:
Senhor Presidente,
Nobres colegas,
Quem me conhece, quem acompanha minha atuação como parlamentar, sabe que eu, como milhões de brasileiros, estou na torcida para que o país realize da melhor maneira possível a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
É por isso, inclusive, que tenho demonstrado preocupação e cobrado publicamente explicações das autoridades para os atrasos nos preparativos para esses eventos.
Por outro lado, assim como vários colegas da Comissão de Turismo e Desporto, tenho procurado chamar a atenção para a necessidade de que esse processo seja conduzido com absoluta transparência, com espírito cívico, e também para que não deixemos em momento algum de ter em mente o legado desses eventos esportivos, isto é, o que vai ficar para a nossa população depois que o circo for embora.
Por isso, Senhor Presidente, é que venho acompanhando com apreensão as notícias sobre o modo como têm sido realizadas, em alguns casos, as desapropriações para a realização das obras. Há denúncias e queixas sobre falta de transparência, falta de diálogo e de negociação com as comunidades afetadas, no Rio de Janeiro e em diversas capitais.
Há denúncias também de truculência por parte dos agentes públicos.
Isso é inadmissível, Senhor Presidente, e penso que esta Casa precisa apurar essas informações, debater esse tema.
Não podemos nos omitir.
Diante desse quadro, nosso país foi objeto de um estudo das Nações Unidas, e a relatora especial daquela Organização chegou a sugerir que as desapropriações sejam interrompidas até que as autoridades garantam a devida transparência dessas negociações e ações de despejo.
Um dos problemas apontados se refere ao baixo valor das indenizações.
Ora, nós sabemos que o mercado imobiliário está aquecido em todo o Brasil, em especial nas áreas que sediarão essas competições.
Assim, o pagamento de indenizações insuficientes pode resultar em pessoas desabrigadas ou na formação de novas favelas.
Com certeza, não é esse o legado que queremos.
Não queremos que esses eventos signifiquem precarização das condições de vida da nossa população, mas sim o contrário!
Também não podemos admitir, sob qualquer pretexto, que nossos cidadãos sejam surpreendidos por retro-escavadeiras que aparecem de repente para desalojá-los, destruir suas casas, como acontece na Palestina ocupada.
E, como frisou a senhora Raquel Rolnik, relatora da ONU, “Remoções têm que ser chave a chave”. Ou seja, morador só sai quando receber a chave da casa nova.
É assim que tem que ser.
Tenho confiança de que a presidente Dilma deseja que os prazos dos preparativos para a Copa e as Olimpíadas sejam cumpridos, mas não permitirá que isso seja feito atropelando a Lei e os direitos das pessoas, comprometendo o futuro das nossas cidades. Espero que ela cuide desse tema com carinho.
É hora, Senhor Presidente, nobres colegas, de mostrarmos ao mundo que o Brasil realiza eventos extraordinários, sem faltar ao respeito com a sua população.
Era o que tinha a dizer. Muito obrigado.
Galindo persiste e insiste na Agência
Novo projeto já está na Câmara de Cbá
      A manchete principal do DC na primeira página de hoje:” “O prefeito de Cuiabá, Chico Galindo (PTB), encaminhou ontem à Câmara Municipal projeto criando uma nova Agência de Regulação dos Serviços de Saneamento da Capital. Diferente da primeira vez, Galindo quer resguardar toda a publicidade possível para a criação da Agência e aprovação do projeto, que prevê a concessão da Sanecap à iniciativa privada, evitando assim acusação da lei ter sido aprovada na surdina.
     A nova mensagem foi protocolada no Legislativo em regime de urgência urgentíssima, dispensando assim a passagem por todas as comissões da Casa. Caso os vereadores queiram, se o projeto foi lido hoje, a votação pode acontecer na quinta-feira. “É uma prerrogativa do prefeito de encaminhar nesse regime para ser o mais rápido possível e não ficar com tanta discussão. Discussão é após, na fase de elaboração do edital”, disse o prefeito. Sempre sorridente ( muito riso pouco sizo) o prefeito Galindo reuniu a acomodada e deligente imprensa cuiabana para dizer que novo projeto sobre a concessão da Agencia Sanecap já está na Câmara Municipal de Cuiabá. Agora é com os vereaddores. Deve-se lembrar que o que foi “acertado” não pode ser voltado atrás. E, pronto!

 A “turma da botina” começa a deixar Silval
      O jornal Diário de Cuiabá deu a seguinte notícia no dia de hoje: “O secretário de Estado do Meio Ambiente, Alexander Maia, não resistiu às pressões políticas e anunciou a saída da pasta. Ele afirmou que não pediu para deixar a função, mas que o desgaste político surgido pelo posicionamento que tem fez com que entregasse o cargo ao governador Silval Barbosa (PMDB), que aceitou. O nome do futuro secretário ainda não foi divulgado, mas, caso os acordos políticos sejam mantidos, deverá ser ligado ao Partido da República (PR).” A partir desse pedido de demissão pode-se dizer que a “turma da botina”, comandada pelo senador Blairo Maggi começa a virar a cara para o governo de Silval Barbosa, que já não anda muito bem. E vem mais pedidos de demissões.   

Carlos Chagas
Nem tudo parece perdido, no lodaçal de denúncias de corrupção em que se transformou a atividade partidária. Há sinais de reação em diversos setores. Tome-se o PMDB, hoje situado no centro do palco. Seus ministros, com exceções, sofrem para continuar ministros na medida em que seus ministérios são atingidos por petardos diários. Os dirigentes maiores buscam preservar os acusados, com Henrique Eduardo Alves, líder na Câmara, e Michel Temer, vice-presidente da República, tentando recompor estruturas postas em frangalhos.
O promissor é assistir parte das bancadas do partido insurgindo-se contra o grupo protecionista e passando a exigir que a carga podre seja jogada ao mar. São deputados jovens, em maioria, daqueles que nenhuma participação tiveram nas indicações para cargos no governo e não apresentaram emendas individuais ao orçamento pelo simples fato de não serem deputados, na Legislatura passada.
Junto com esses frutos da renovação do PMDB situam-se antigos líderes sem relacionamento maior com a cúpula, como Pedro Simon, Roberto Requião, Luís Henrique e Jarbas Vasconcelos, agrupados com alguns experientes de primeiro mandato, como Pedro Taques. Mostraram o pescoço e criaram a Frente contra a Corrupção, na qual pretendem integrar outras forças partidárias e representantes de entidades da sociedade civil. Essa onda, se crescer, tentará neutralizar a péssima imagem adquirida pelo PMDB nos últimos anos. Quem sabe?
***O FIM E OS MEIOS
A moda continua de culpar a imprensa pela turbulência verificada no quadro político atual. Cada denúncia apresentada pelos jornais, revistas e meios eletrônicos é tida pelos atingidos como solerte manobra dos adversários para atingi-los injustamente, por motivos menores. É claro que muito do material divulgado provém mesmo de adversários internos de ministros contestados em seus partidos e em seus ministérios, sem esquecer o potencial investigativo dos meios de comunicação.
A esse propósito, duas citações na História recente. Teng Xiau-Ping, na China, dizia desconsiderar a cor dos gatos, desde que comessem ratos. E Winston Churchill acentuava que se o Capeta batesse à sua porta, com seus pés de cabra, para propor uma aliança contra Hitler, ele não hesitaria em mandá-lo entrar.
Se as acusações são procedentes, importa menos a sua origem.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Carlos Chagas
Uma indagação começa a ser feita nas cúpulas dos partidos da base parlamentar do governo: que reflexos terá a presente luta contra a corrupção nas eleições municipais do ano que vem e nas eleições gerais de 2014? Presumindo-se, é claro, que a campanha não se interrompa e que a presidente Dilma não reflua.
De início, desponta uma possibilidade promissora, de que haverá mais renovação. Primeiro na escolha dos prefeitos e vereadores, depois do Congresso e das Assembléias. Os políticos tradicionais sofrerão a concorrência de gente desvinculada das práticas hoje comuns no trato da coisa pública. Haverá injustiça e precipitação por parte do eleitorado, já que nem todos os atuais detentores de mandato devem ser nivelados aos vigaristas. Na crista da onda moralizante, porém, uns e outros poderão ser confundidos. É possível que os índices de renovação cresçam bastante.
O teste da disputa pelas prefeituras, em especial das capitais, deverá ser decisivo, capaz de prejudicar lideranças tradicionais. Quem se apresentar em nome da mudança de costumes levará vantagem. Os partidos sabem disso e já estarão tratando de buscar alternativas.
É cedo para maiores projeções, ninguém garante que a luta contra a corrupção se estenderá até 2012 e 2014, mas não será por falta de corruptos nem de corruptores…
MAIS UM?
Grave mesmo foi a denúncia contra o ministro das Cidades, Mário Negromonte, feita pela revista Veja. Conforme a publicação, deputados da bancada do PP estariam sendo convidados a apoiar o grupo do ministro, numa disputa interna, mediante um novo mensalão de 30 mil reais. Os convites seriam feitos numa sala ao lado do gabinete ministerial, por outros deputados do partido.
Só um desmentido não basta para encerrar a questão. Cabe ao presidente do PP, senador Francisco Dornelles, abrir inquérito no âmbito partidário, ouvindo os 41 deputados. Se verdadeira a informação, não será difícil investigar de onde vem os recursos para mais essa lambança. Dinheiro público ou, mais provavelmente, dinheiro privado, de empresas contratadas pelo ministério? Silenciar é que não dá.

sábado, 20 de agosto de 2011

Por GUILHERME BOULOS*
As primeiras reações à escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo 2014 foram de festa.
De certo modo justificada: depois de mais de 60 anos, o país que tem o futebol como uma marca de cultura popular, com centenas de milhares de campos de várzea espalhados por todos os cantos, poderia voltar a ver de perto o maior evento futebolístico do planeta.
O menino da favela poderia, quem sabe, ir ao estádio ver seus maiores ídolos, que costumam se exibir apenas nos campos europeus. Um sonho…
Que não tardou muito em gerar desilusão.
De início, apareceu o incômodo problema de quem iria pagar a conta.
E veio a resposta, ainda mais incômoda, de que 98,5% do gordo orçamento do evento seriam financiados com dinheiro público, segundo estudo do TCU.
Boa parte do BNDES, é verdade.
Mas o capital do BNDES é alimentado pelo Orçamento Geral da União, portanto, dinheiro público, apesar dos malabarismos explicativos do Ministro dos Esportes.
Dinheiro que deveria ser investido no SUS, na educação, em habitação popular e tantos outros gargalos mais urgentes do país.
A questão torna-se ainda mais grave quando, motivado pelo argumento do tempo curto até 2014, o controle público dos gastos corre sério risco.
A FIFA impõe contratos milionários com patrocinadores privados. E o presidente do todo-poderoso Comitê Local é ninguém menos que Ricardo Teixeira, que dispensa comentários quanto à lisura e honestidade no trato com dinheiro.
Estes temas têm sido amplamente tratados pela grande imprensa.
No entanto, há uma outra dimensão do problema, infelizmente pouco abordada. E não menos grave.
Trata-se das consequências profundamente excludentes dos investimentos da Copa nas 12 cidades que a abrigarão.
Três anos antes da bola rolar, esta Copa já definiu os perdedores. E serão muitos, centenas de milhares de famílias afetadas direta ou indiretamente pelas obras.
Somente com despejos e remoções forçadas já há um número de 70 mil famílias afetadas, segundo dossiê de março deste ano produzido pela Relatora do Direito à Moradia na ONU, Raquel Rolnik.
E estes dados foram obtidos unicamente através de denúncias de comunidades e movimentos populares.
O que significa que os números tendem a ser muito maiores.
*Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), militante da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos e da CSP Conlutas (Central Sindical e Popular).
ESTÁDIOS SUPÉRFLUOS
Entraram na moda os estádios de futebol, sendo reconstruídos e aprimorados. Bilhões se destinam às obras aceleradas, visando mais conforto para os usuários. Caso não houvesse outras prioridades, seria até louvável assistir toda essa movimentação. O que fica sem resposta, porém, é sobre o que fazer com os super-estádios nos dias sem jogos, a grande maioria do ano.
Quando governador do Rio, Leonel Brizola decidiu construir o Sambódromo, substituindo os desfiles carnavalescos na Avenida Presidente Vargas. Em poucos meses erigiu o projeto de Oscar Niemeyer, mas com uma exigência: no longo período de ociosidade o Sambódromo abrigaria montes de salas de aula.
Não seria o caso de no Maracanã, Mineirão e tantos outros estádios, aproveitar-se as obras em andamento para transformá-los também em escolas, até universidades? Coisa complicada mas jamais impossível. Arquitetos não faltam para apresentar alternativas.